quinta-feira, 8 de maio de 2008

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Road to nowhere

Que caminho é esse que segues às cegas enquanto deixas que o tempo se escoe por entre as fissuras abertas pelo teu vacilar?

A sós

A rua está deserta outra vez.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Vinte e nove, terceiro bê

Lembro a luz espalhada pelo teu corpo, fragmentada em salpicos de cor pela passagem da luz do sol no tecido colorido que nos protegia das indiscrições.
Lembro as nossas ilusões de um amor feliz e sem final, transpirados sob o lençol, clandestinos naquele quarto em vez da sala de aulas onde deveríamos estar a essa hora.
Lembro ainda que me lembrei pela vida fora da tua inesperada partida para um ponto não muito distante mas que para nós se revelou longe demais.

O silêncio que aos poucos se instalou onde antes fervilhavam os sons, apenas o matraquear de um teclado monocórdico nos tons, até ao dia em que mesmo as palavras escritas foram deixando de surgir no monitor, acabaria por emudecer aquele amor tagarela (tão intenso que parecia na sua dimensão carnal).

Era disso que se tratava afinal. E só me lembrei desse pormenor porque reparei que não mudaram as cortinas na janela por onde me fazias o sinal a sorrir e assim me davas luz verde para subir.

O resto já esqueci...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Rua primeira

Deambulo com a minha língua pelo teu corpo em busca de quê?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

IP1

O conta-quilómetros deixou de funcionar, colado num ponto para lá da sua marca final, mas o pé no acelerador desmentiu o que o bom senso insistiu em afirmar.
A estrada que parecia nunca acabar e eu dizia para com os meus botões que aquilo não era uma questão de os ter no sítio mas apenas (mais) uma simples estupidez. Sem sentido definido, por uma vez, ao caminho, perdido, em busca do que restava de mim.
Um volante assim na minha cabeça acelerada era mesmo o que faltava na minha condução desastrada pelos becos que a vida me ofereceu. Um amor que morreu, ressuscitado. E mais outro que surgiu de qualquer lado e me abalroou a carroçaria com a força de um camião.

O acelerar do meu coração, frame by frame, sem travagem possível.

A certeza da imortalidade garantida no calor do abraço do amor, combustível, no regaço dos anjos, nas asas da paixão.

Nesta imensa auto-estrada onde não consigo pressionar o travão.

sábado, 19 de abril de 2008

Lado Cão


Take Me Higher

Vejo toda a cidade porque a sobrevoo a bordo de um balão imaginário, cheio com a respiração produzida por nós dois sempre que fizemos amor.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Por aí...

Foto: CatDog

terça-feira, 1 de abril de 2008

A tua rua

Sentado neste banco à beira-rio, imagino-te ao desafio na outra margem e apetece-me a viagem até esse lugar. Apetece-me desafiar também a vertigem que se impõe de cada vez que me elevo às alturas onde o teu rosto se desenha ao meu olhar.

Nas nuvens que vejo passar, sentado neste banco, num barco em pensamento, enroscado como um gato, tatuado em ti.

sábado, 29 de março de 2008

quinta-feira, 27 de março de 2008

segunda-feira, 24 de março de 2008

Avenida dos sonhos

Vejo-te tão bonita, entretida a ler um livro na paragem do autocarro no lado oposto da avenida.
Gosto muito mais da vida quando posso olhar-te assim, em silêncio. Enquanto me esforço a pensar como poderás ser minha.
Enquanto me imagino transporte público, de carreira, só para te poder apanhar.

domingo, 23 de março de 2008

Rua dos milagres

Na rua o povo festeja o alegado desaparecimento do cadáver de um homem muito especial. Acreditam-no divinal, eterno milagreiro, o povo festeja o padroeiro de um mundo de pernas para o ar.

Capazes de acreditarem em milagres tão religiosos como um coelho a pôr ovos de chocolate, assumidamente pagãos.

Mas incapazes de seguirem os preceitos mais elementares nos seus comportamentos desses importantes ensinamentos, alegadamente cristãos.

sexta-feira, 21 de março de 2008

quarta-feira, 19 de março de 2008

Rua do quartel

Passo ao lado e até finjo nem ver, a triste figura dos que julgam poder reclamar para si o estatuto de galos únicos na capoeira. Os que desertam de batalhas que nem chegam a começar, pois não se justificam, e regressam depois de convictos da cessação das hostilidades, fardados a rigor como paladinos do amor mais estéril, galarós.

Palermas que se sentem tão sós na sua visão reducionista das pessoas que entendem como troféus e ainda por cima os estimulam na sua demanda inglória por um lugar em qualquer história que seja digna de contar depois.

Passo ao lado e sigo o meu caminho programado, com pequenos acertos na rota. Os necessários para me afastar de quem me inspira misericórdia, afogados numa mixórdia de complexos de inferioridade com sede de projecção.

Conheço-os de ginjeira, vizinhos, cada um com os seus caminhos tortuosos a percorrer.

Faço de conta que nem estou a ver, viro as costas pelo doce prazer de assistir ao seu regresso ao centro da praça, em busca do seu sol privado, guardado esse bocado para os que na realidade vivem das sobras que lhes dão mas alardeiam na ficção os seus patéticos galões de hipotéticos conquistadores.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Praça deserta

Fartei-me de caminhar num espaço vazio.
Desandei dali.
Também.

É impossível escrever

Um amor que não se faz.

domingo, 16 de março de 2008