Vejo-te tão bonita, entretida a ler um livro na paragem do autocarro no lado oposto da avenida.
Gosto muito mais da vida quando posso olhar-te assim, em silêncio. Enquanto me esforço a pensar como poderás ser minha.
Enquanto me imagino transporte público, de carreira, só para te poder apanhar.
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segunda-feira, 24 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
Rua do mercado
Percorro a teu lado a rua do mercado como um puto feliz. Noto, confiante, a forma como sorris e sinto presente uma agradável empatia.
Alimento essa magia com um momento irresistível de humor enquanto nos vejo a fazer o amor num compartimento isolado do meu cérebro dividido em dois. Um trocadilho hilariante e o silêncio depois, enquanto parecemos pausar no sentido de tomar a decisão que se impõe.
A hesitação que se interpõe naquele hiato, confrontados com o facto inquestionável de o outro ser tão desejável mas existirem as múltiplas barreiras que se constituem impedimento quando se aproxima o momento de avançar com determinação.
O constrangimento da situação que ameaça destruir as hipóteses de se consumar este apelo poderoso e eu muito ansioso por encontrar a frase mais certa, a abordagem mais correcta para espantar os fantasmas que nos possam impedir.
A pressão que ameaça entupir a verbalização de um desejo incontido, o olhar tão distraído a revelar-te o quanto te quero nesse instante. A alusão aos sinais do destino que nos indicam o caminho, com o ar de quem até acredita nessas coisas, até à colisão frontal com o indicador de trânsito em metal que desfaz a pose enquanto te desmancha em gargalhadas.
A seta branca em fundo azul, sentido obrigatório, apontada por coincidência para a rua onde uma casa nos aguarda para concretizarmos enfim aquilo que o destino assinalou em mim, num dos lados da cabeça.
Os teus beijos a fazer com que esqueça a dor do hematoma, os dois deitados numa cama onde irá acontecer aquilo que estava afinal predestinado no sinal abalroado.
E na chispa que de repente incendiou o teu olhar.
Alimento essa magia com um momento irresistível de humor enquanto nos vejo a fazer o amor num compartimento isolado do meu cérebro dividido em dois. Um trocadilho hilariante e o silêncio depois, enquanto parecemos pausar no sentido de tomar a decisão que se impõe.
A hesitação que se interpõe naquele hiato, confrontados com o facto inquestionável de o outro ser tão desejável mas existirem as múltiplas barreiras que se constituem impedimento quando se aproxima o momento de avançar com determinação.
O constrangimento da situação que ameaça destruir as hipóteses de se consumar este apelo poderoso e eu muito ansioso por encontrar a frase mais certa, a abordagem mais correcta para espantar os fantasmas que nos possam impedir.
A pressão que ameaça entupir a verbalização de um desejo incontido, o olhar tão distraído a revelar-te o quanto te quero nesse instante. A alusão aos sinais do destino que nos indicam o caminho, com o ar de quem até acredita nessas coisas, até à colisão frontal com o indicador de trânsito em metal que desfaz a pose enquanto te desmancha em gargalhadas.
A seta branca em fundo azul, sentido obrigatório, apontada por coincidência para a rua onde uma casa nos aguarda para concretizarmos enfim aquilo que o destino assinalou em mim, num dos lados da cabeça.
Os teus beijos a fazer com que esqueça a dor do hematoma, os dois deitados numa cama onde irá acontecer aquilo que estava afinal predestinado no sinal abalroado.
E na chispa que de repente incendiou o teu olhar.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Praça do adeus
Ela sentou-se na mesa da esplanada onde melhor conseguia observá-la sem proezas de contorcionista.
Ela ocupou a totalidade do meu horizonte, onde antes o olhar se petrificava na estátua coberta de verdete em honra de um ilustre qualquer.
Ela era uma linda mulher e quando se levantou para partir o bando de pombos acompanhou a tendência, voou, os figurantes que percorriam a praça recolheram aos seus domicílios em busca do jantar e até o sol pareceu antecipar o ocaso para marcar aquela penosa despedida.
Eu acendi outro cigarro, levantei de novo o jornal e enclausurei-me na alienação de uns considerandos acerca de uma curta metragem para a qual um dia escreveria um deslumbrante guião.
Ela ocupou a totalidade do meu horizonte, onde antes o olhar se petrificava na estátua coberta de verdete em honra de um ilustre qualquer.
Ela era uma linda mulher e quando se levantou para partir o bando de pombos acompanhou a tendência, voou, os figurantes que percorriam a praça recolheram aos seus domicílios em busca do jantar e até o sol pareceu antecipar o ocaso para marcar aquela penosa despedida.
Eu acendi outro cigarro, levantei de novo o jornal e enclausurei-me na alienação de uns considerandos acerca de uma curta metragem para a qual um dia escreveria um deslumbrante guião.
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Travessa dos cruzamentos
Confrontas-me com esse olhar de quem pretende devorar-me (a alma) numa fracção de segundo, todo o tempo do mundo concentrado num simples cruzar de caminhos que nos dispara o coração como a válvula de um esquentador.
Água quente de um rio no colo de uma nascente sua mãe. Lágrimas doces que pingam de ti e explodem de luz no cumprimento reflexo ao sol, como se ilumina o meu sorriso à tua passagem numa sentida homenagem a esta generosa porção de uma poderosa emoção que não nos abranda sequer a passada.
Saltos altos na calçada, feminina, percorres a rua com um ar determinado.
E eu sigo, conquistado, degustando na memória o prazer visual.
Imaginando esta curta mas feliz história com um outro final...
Água quente de um rio no colo de uma nascente sua mãe. Lágrimas doces que pingam de ti e explodem de luz no cumprimento reflexo ao sol, como se ilumina o meu sorriso à tua passagem numa sentida homenagem a esta generosa porção de uma poderosa emoção que não nos abranda sequer a passada.
Saltos altos na calçada, feminina, percorres a rua com um ar determinado.
E eu sigo, conquistado, degustando na memória o prazer visual.
Imaginando esta curta mas feliz história com um outro final...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Pátio do sol
Sentada sem fazeres nada para prenderes assim a minha atenção.
Plantada como uma flor das que simbolizam o amor quando oferecidas ao par ideal.
Eu não sou. E tu és bonita demais para qualquer jarro te merecer.
Plantada como uma flor das que simbolizam o amor quando oferecidas ao par ideal.
Eu não sou. E tu és bonita demais para qualquer jarro te merecer.
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Mastercard avenue
Porque contemplas há tanto tempo essa montra?
Porque a namoras, embevecida, como se o melhor da tua vida estivesse do lado de lá dessa barreira invisível que a porta do lado elimina na condição?
Apaixonada pelo objecto que desejas e de que te queres apropriar para que te possua enquanto sabes que é tua a posse pelo direito de aquisição. O alvo da tua cobiça na palma de uma mão, a um preço que consigas suportar.
Outro capricho por satisfazer, apenas mais um.
E eu apresso a passada, atravesso mesmo a estrada. Aliviado por manteres nessa montra toda a atenção que jamais me quiseste dispensar.
Porque a namoras, embevecida, como se o melhor da tua vida estivesse do lado de lá dessa barreira invisível que a porta do lado elimina na condição?
Apaixonada pelo objecto que desejas e de que te queres apropriar para que te possua enquanto sabes que é tua a posse pelo direito de aquisição. O alvo da tua cobiça na palma de uma mão, a um preço que consigas suportar.
Outro capricho por satisfazer, apenas mais um.
E eu apresso a passada, atravesso mesmo a estrada. Aliviado por manteres nessa montra toda a atenção que jamais me quiseste dispensar.
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Rua sem saída
Cruzei-me contigo por mero acaso, do outro lado de uma rua qualquer. Olhei para ti e aquilo que vi não passava de uma representação daquilo que me parecias quando faziamos sentido a dois.
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