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quinta-feira, 1 de maio de 2008
Road to nowhere
Que caminho é esse que segues às cegas enquanto deixas que o tempo se escoe por entre as fissuras abertas pelo teu vacilar?
quinta-feira, 10 de abril de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Beco da taberna
Sinto no ar o cheiro do pão acabado de fazer quando chego da noite queimada de bar em bar.
O pavimento a oscilar e eu em busca do equilíbrio necessário para não fazer má figura. O fio de prumo interior a traçar uma diagonal imaginária, concentro-me no candeeiro de rua e encontro o alinhamento possível. Passo a passo, rumo à porta onde te vejo abraçada a um vulto com pinta de abstémio. Passo a passo, tropeção, vou tomando a decisão menos acertada porque já não és minha namorada e eu nem tenho ciúmes de ti ou de qualquer outra mulher.
Acordo mais tarde no chão e tenho desenhada uma mão a vermelho no rosto, corado à bruta pela força da razão nenhuma que me perdeu nesse dia.
Olho de soslaio para o grupo reduzido de mirones, a dignidade possível num destroço erguido como um colosso da pedra da calçada. A padaria abandonada à necessidade de dormir.
Ou talvez apenas fugir. Da sombra da minha estupidez.
O pavimento a oscilar e eu em busca do equilíbrio necessário para não fazer má figura. O fio de prumo interior a traçar uma diagonal imaginária, concentro-me no candeeiro de rua e encontro o alinhamento possível. Passo a passo, rumo à porta onde te vejo abraçada a um vulto com pinta de abstémio. Passo a passo, tropeção, vou tomando a decisão menos acertada porque já não és minha namorada e eu nem tenho ciúmes de ti ou de qualquer outra mulher.
Acordo mais tarde no chão e tenho desenhada uma mão a vermelho no rosto, corado à bruta pela força da razão nenhuma que me perdeu nesse dia.
Olho de soslaio para o grupo reduzido de mirones, a dignidade possível num destroço erguido como um colosso da pedra da calçada. A padaria abandonada à necessidade de dormir.
Ou talvez apenas fugir. Da sombra da minha estupidez.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Rua da amargura
Fingiste tentar. Tentaste desafiar, a ver se pegava. Provocaste sensual e depois insultaste boçal quando percebeste o fim da esperança na imagem distante das costas que te voltei.
Percorreste a rua em busca de uma vingança que não te merecia a minha discrição onde morreram as tuas tentativas fingidas, as tuas emoções mascaradas de uma paixão de carnaval.
Nem essa foi conseguida, avisado que estava da falsidade da tua intenção. Avisou-me o coração que desmentia as tuas palavras, essas mesmas que não passavam de um esqueleto visível do teu abjecto ardil.
Jamais pisaremos de novo a mesma rua ou partilharemos um espaço comum, ciente que me deixas da diferença existente entre ti e as outras que tentaste em vão conspurcar com o manto de dúvida que tive o cuidado de te cobrir pelas costas, com todo o carinho que pudesse desguarnecer-te a perfídia com a confiança que me negaste nos esquemas, nas patranhas, nas falinhas mansas que utilizavas para me anestesiar.
Ficas só nessa rua, apenas até encontrares o meu sucessor para esse falso amor que alardeias enquanto ocultas na liga a faca com que castigas os crédulos na tua conversa beata de louva-a-deus.
Acabo de rasgar o mapa em mil pedacinhos, o único que me permitiria, talvez um dia, enlouquecer ao ponto de reencontrar o caminho até ao cadafalso que me tentaste construir.
Volto as costas, mas não presumas optimista que descuido os espelhos que me denunciem antecipadamente o momento em que cedas de novo ao instinto mais forte, à cobardia.
Perdeste de vez a hipótese de consumares a traição que te movia.
Percorreste a rua em busca de uma vingança que não te merecia a minha discrição onde morreram as tuas tentativas fingidas, as tuas emoções mascaradas de uma paixão de carnaval.
Nem essa foi conseguida, avisado que estava da falsidade da tua intenção. Avisou-me o coração que desmentia as tuas palavras, essas mesmas que não passavam de um esqueleto visível do teu abjecto ardil.
Jamais pisaremos de novo a mesma rua ou partilharemos um espaço comum, ciente que me deixas da diferença existente entre ti e as outras que tentaste em vão conspurcar com o manto de dúvida que tive o cuidado de te cobrir pelas costas, com todo o carinho que pudesse desguarnecer-te a perfídia com a confiança que me negaste nos esquemas, nas patranhas, nas falinhas mansas que utilizavas para me anestesiar.
Ficas só nessa rua, apenas até encontrares o meu sucessor para esse falso amor que alardeias enquanto ocultas na liga a faca com que castigas os crédulos na tua conversa beata de louva-a-deus.
Acabo de rasgar o mapa em mil pedacinhos, o único que me permitiria, talvez um dia, enlouquecer ao ponto de reencontrar o caminho até ao cadafalso que me tentaste construir.
Volto as costas, mas não presumas optimista que descuido os espelhos que me denunciem antecipadamente o momento em que cedas de novo ao instinto mais forte, à cobardia.
Perdeste de vez a hipótese de consumares a traição que te movia.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Cúmplice Algoz
Puniste-me, implacável, com a frieza do teu desdém. Castigaste-me pelo pecado de vergar demasiado aos caprichos que inventavas, de propósito, para daí resultarem os pequenos instantes de humilhação com que me quebravas pela espinha o orgulho e esmagavas aos poucos os escassos ecos de resistência no meu coração.
A minha punição, em lume brando, resultou da sentença que ao meu sentimento de pertença aplicou a tua sede libertária de independência total.
Foi o juízo final de uma condenação definitiva, tombado o amor às mãos frias do traidor que te descobriu vingativa.
No dia em que fechaste nas suas costas a porta do calabouço em que definho, a masmorra do remorso que adivinho no extremo oposto da equação onde te encontras, igualmente a cumprir pena pelo excesso cometido por esse despeito bandido que nos fez cair do céu.
E nessa perspectiva, este terrível castigo acaba também por ser o teu.
A minha punição, em lume brando, resultou da sentença que ao meu sentimento de pertença aplicou a tua sede libertária de independência total.
Foi o juízo final de uma condenação definitiva, tombado o amor às mãos frias do traidor que te descobriu vingativa.
No dia em que fechaste nas suas costas a porta do calabouço em que definho, a masmorra do remorso que adivinho no extremo oposto da equação onde te encontras, igualmente a cumprir pena pelo excesso cometido por esse despeito bandido que nos fez cair do céu.
E nessa perspectiva, este terrível castigo acaba também por ser o teu.
Laços sem Nó
Percebo-me, aos poucos, de costas voltadas para o sol.
Hesito até parar.
Depois começo a recuar, tacteando a berma do passeio com a traseira dos pés.
Percebo-me, aos poucos, saturado de esperar.
E começo a caminhar rumo a um futuro alternativo, paciência, enquanto o escreves pelo teu punho com a palavra ausência.
Hesito até parar.
Depois começo a recuar, tacteando a berma do passeio com a traseira dos pés.
Percebo-me, aos poucos, saturado de esperar.
E começo a caminhar rumo a um futuro alternativo, paciência, enquanto o escreves pelo teu punho com a palavra ausência.
Eternamante
Lembro-me, sim, que prometias caminhar até ao fim, comigo, por uma estrada completamente ladeada de árvores de fruto onde cantavam os pássaros que escuto na memória dos dias em que me permiti sonhar um amor genuíno.
Recordo também o destino que lias, cigana, nas palmas das minhas mãos, na cama, enquanto brincávamos com partes dos corpos a sério que transpiravam, pouco tempo depois, numa manta estendida à pressa no chão.
Era para sempre, dizias. Mas aos poucos desmentias pressupostos e acumulávamos desgostos na traição da tua ausência, muitos pesos na consciência que viraste como canhões contra o falso inimigo em que aparentemente me tornei.
Lembro-me que sonhei um dia o filho que te faria, o coração que me cegava e que tudo perdoava, a razão perdida numa discussão que abortava, pela evidência do meu engano, a loucura desse plano desesperado para te prender a mim de alguma forma.
Mas agora deixo que o sonho durma, enquanto finjo que me esqueço, de cada vez que me despeço, a verdade adormecida no encanto do teu olhar que já não reflecte o mesmo amor que me afirmavas nos dias quentes de que me lembro agora.
O sopro gelado de beijos distantes inspira-me um sentimento de vazio. E por mais que nos lembre amantes não consigo combater esse frio.
Recordo também o destino que lias, cigana, nas palmas das minhas mãos, na cama, enquanto brincávamos com partes dos corpos a sério que transpiravam, pouco tempo depois, numa manta estendida à pressa no chão.
Era para sempre, dizias. Mas aos poucos desmentias pressupostos e acumulávamos desgostos na traição da tua ausência, muitos pesos na consciência que viraste como canhões contra o falso inimigo em que aparentemente me tornei.
Lembro-me que sonhei um dia o filho que te faria, o coração que me cegava e que tudo perdoava, a razão perdida numa discussão que abortava, pela evidência do meu engano, a loucura desse plano desesperado para te prender a mim de alguma forma.
Mas agora deixo que o sonho durma, enquanto finjo que me esqueço, de cada vez que me despeço, a verdade adormecida no encanto do teu olhar que já não reflecte o mesmo amor que me afirmavas nos dias quentes de que me lembro agora.
O sopro gelado de beijos distantes inspira-me um sentimento de vazio. E por mais que nos lembre amantes não consigo combater esse frio.
Vias de Facto
Puniste-me, implacável, com a frieza do teu desdém. Castigaste-me pelo pecado de vergar demasiado aos caprichos que inventavas, de propósito, para daí resultarem os pequenos instantes de humilhação com que me quebravas pela espinha o orgulho e esmagavas aos poucos os escassos ecos de resistência no meu coração.
A minha punição, em lume brando, resultou da sentença que ao meu sentimento de pertença aplicou a tua sede libertária de independência total.
Foi o juízo final de uma condenação definitiva, tombado o amor às mãos frias do traidor que te descobriu vingativa.
No dia em que fechaste nas suas costas a porta do calabouço em que definho, a masmorra do remorso que adivinho no extremo oposto da equação onde te encontras, igualmente a cumprir pena pelo excesso cometido por esse despeito bandido que nos fez cair do céu.
E nessa perspectiva, este terrível castigo acaba também por ser o teu.
A minha punição, em lume brando, resultou da sentença que ao meu sentimento de pertença aplicou a tua sede libertária de independência total.
Foi o juízo final de uma condenação definitiva, tombado o amor às mãos frias do traidor que te descobriu vingativa.
No dia em que fechaste nas suas costas a porta do calabouço em que definho, a masmorra do remorso que adivinho no extremo oposto da equação onde te encontras, igualmente a cumprir pena pelo excesso cometido por esse despeito bandido que nos fez cair do céu.
E nessa perspectiva, este terrível castigo acaba também por ser o teu.
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