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sábado, 19 de abril de 2008

Take Me Higher

Vejo toda a cidade porque a sobrevoo a bordo de um balão imaginário, cheio com a respiração produzida por nós dois sempre que fizemos amor.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Rua da belavista

Vejo lá ao fundo o muro onde te sentavas mais a paisagem que se estendia no além por detrás.
Vejo muito fortes as cores de desejos e de amores partilhados nos corpos pressionados contra aquela divisão de tijolo entre o coração e o miolo que acabava sempre por nos esconder apaixonados no proibido lado de lá.

Hoje não vejo ao fundo, onde esta rua acabava, a silhueta que eu ansiava ali encontrar, agora que só me resta imaginar-te ali sorridente e por detrás o horizonte, magnífico, exposto a nu.

Agora vejo lá prédios e uns quantos quintais. Mas naqueles dias só existias tu.

E absolutamente nada mais.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

(Des)Peito Aberto

Marcas a hesitação com o pêndulo de uma emoção desgovernada, numa hora a amada que despi e agora a menina assustada que me expulsa de ti, a outra que me quer.
E eu deixo-me arrastar, infantil, pela maré que criam as tuas luas e percorro sozinho as ruas em busca de consolos de circunstância que só me acicatam a tua falta, ainda mais.

Regresso sem orgulho, rastejo aos meus olhos e aos teus. O amor que te tenho calado, para minha defesa, simulado por detrás de uma espécie de véu que me priva desse céu na tua boca que sorri quando percebes o que senti enquanto deambulava a ira passageira.

Dispara o coração, de tal maneira acelerado pela privação que o acobarda ao ponto de me humilhar perante ti e eu perceber que é de vez, atraiçoado pela lucidez que me impede de fugir da vergonha também. Da expressão vencedora que tem esse olhar de matadora que me revolta.

Mas a paixão logo sufoca a rebelião com um beijo de fogo e os corpos tombados na cama onde por certo vingarei o vexame como um homem que não te ame tanto como eu, nem verdadeiramente te queira sequer.

Ou como outro qualquer.

Reina Comigo

Tornaste-te rainha sempre que deixaste de ser minha, do teu amante plebeu.
E eu sinto que morreu qualquer coisa neste pedaço de tempo morno em que entendeste reclamar o teu trono, no reino distante onde não consigo chegar, tão longe que nem persigo com o olhar a tua silhueta difusa no horizonte a que viro as costas desertor.

Sinto que morre parte do amor, atrofiado pelo ciúme que do meu lado vem a lume quando imagino o teu corpo deitado e preencho o espaço em branco a teu lado com o contraste bem negro da sombra de outro homem qualquer.

Procuro noutra mulher o gosto acre da vingança mas nunca abdico da esperança de um dia reinarmos a meias no teu castelo de onde jamais alguém saiu.

Porque só nas fantasias plebeias a ponte levadiça nunca existiu.