Reparei que viraste a cara para o outro lado, com desdém, logo que reparaste na minha presença próxima. De imediato recordei a ansiedade no retrato dos dias em que a espera te agitava num frenesi descontrolado, como uma espécie de medo que eu não viesse um dia por ter desistido de uma paixão que nos parecia imortal.
Lembro-me bem desse tempo fenomenal em que não dispensavas uma palavra minha antes do café da manhã, sedenta de uma imagem e atenta a cada som. Gritavas a saudade e juravas uma fidelidade que jamais te exigi, pois embora muito chegado a ti não poderia assumir um compromisso duplicado na pele do amante amigo, do actor secundário num papel principal.
Agora sentes-te mal por cruzares o meu caminho, por lembrares um destino que rejeitaste neste mesmo espaço.
No dia do último abraço, quando ainda me acreditavas especial.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
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